terça-feira, 12 de julho de 2011

Os Chatos Agressivos

Embora chamados de Chatos Bonzinhos, esses contêm uma dose de agressividade, a de sua própria natureza de chatos. Os agressivos puros levam o assalto físico além da simples presença, do atracar pelo cotovelo ou pela lapela, do barrar na rua até que o paciente perca o ônibus, do obrigá-lo a sentar-se para ouvir e do uso de outros pequenos recursos contra o corpo humano que não chegam a ser mencionados no Código Penal como agressão. Quando muito, não vão além da figura do “cárcere privado”, como, por exemplo, os anfitriões de weekend. O chato que nos gruda o braço não violou a lei penal; quando muito transgrediu o artigo da Constituição Federal, no que estabelece que somos livres de ir e vir.

Os agressivos são polêmicos ou etilometamórficos. Os primeiros se identificam imediatamente pelas expressões “Nada disto!”, “Ce é besta”, “Uma ova!”, “Sai daí...”, com que preparam a agressão. Às vezes, a ação Mao passa de argumentos em contradita, silencio de irônica superioridade, riso zombeteiro, ou mesmo apartes. São polêmicos não no sentido helênico da palavra, no sentido de luta; mais deveriam se chamar disputadores de torneios, provocadores de agonia.

Os etilometamórficos começam a agressividade após certa dose de álcool, ou como se a tivessem bebido. No primeiro estágio da embriaguês efetiva, permanecem bonzinhos, ficam tristes, fazem confidências, dormem ou tornam-se eufóricos. Mas o álcool ou o calor da controvérsia produz, às vezes, uma exaltação de confiança, de promessa de empreendimentos de planos, de que o indivíduo sai para outro estágio perigoso, a ressaca. Ou para a agressividade total, o quebra-quebra.


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